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Yuri Marcel
Fotos: Notícias da Hora
A população mundial pode ser dividida em diversos segmentos. Apesar disso, nem sempre a sociedade é capaz de conviver com as diferenças e então semeia preconceitos. Nos últimos anos, muitos tabus foram quebrados e hoje a Assembléia Legislativa do Acre - Aleac deu mais um passo ao aprovar um projeto de lei, de autoria do deputado Moisés Diniz (PC do B), instituindo o Dia Estadual da Diversidade O objetivo, segundo o autor do projeto, é combater o preconceito. “Quando você institui uma lei garantindo ampla liberdade de opção sexual, você garante liberdade para as minorias, que já não são mais tão pequenas”, disse. O Acre era um dos últimos estados brasileiros que ainda não tinha em seu calendário uma data em defesa da diversidade. Diniz quer proteger especialmente os homossexuais menos abastados. “Eles são discriminados duas vezes”, falou.
De acordo com o advogado Moisés Alencastro, idealizador do projeto, a inovação vem com a “Semana da Diversidade”, que é realizada todos os anos no mês de setembro com apresentação de filmes, peças de teatro, mostras de livros e palestras em escolas sobre o tema. Apesar de beneficiar principalmente os homossexuais, o projeto visa combater qualquer tipo de discriminação.
Para o sociólogo, Germano Marino, um dos fundadores da Associação dos Homossexuais do Acre – Ahac a data representa um grande avanço e uma conquista para a classe. A agremiação de Marino foi fundada em 2002 e reúne hoje, 26 associados. Na maioria, travestis que atuam como profissionais do sexo. Ele antecipou que a “Semana da Diversidade” deste ano foi transformada em documentário e deverá ser lançada no começo de 2006.
Tabus e discriminação - Apesar de todos os avanços, discutir diversidade ainda causa polêmica até entre os homossexuais. Muitos até se escondem com medo de serem recriminados. Para o estudante de 15 anos que se identifica como “Tom”, ser gay hoje, ainda é visto de forma negativa por muitos segmentos sociais, mesmo dentro de grupos que também sofrem preconceitos.
“É ruim! A gente é diferente. Tem que fazer tudo às escondidas. Não pode trazer ninguém em casa, andar de mão dada na rua”, falou. “Tom” ainda não contou a família, segundo ele, para evitar conflitos entre seus parentes. O rapaz acredita que ações como a “Semana da Diversidade” só duram por pouco tempo e depois são esquecidas e o preconceito volta.
De acordo com uma pesquisa do Eseb 2002, parte da sociedade brasileira ainda vê o homossexualismo como uma doença ou um distúrbio e, por esta razão, deve ser aceito. Esses dados mostram também que apesar da tolerância ao homossexualismo, existe uma resistência significativa ao casamento entre os gays. Essa oposição é maior entre aquelas pessoas que declaram ter uma religião, enquanto que os ateus são menos conservadores. De fato as igrejas se opõem ao homossexualismo. O Papa João Paulo II já chegou a afirmar que a prática vai contra as leis da natureza e é uma ofensa aos cristãos.
Orientação ou opção sexual? - A forma como uma orientação sexual se desenvolve nas pessoas, ainda é um mistério para os cientistas. As diversas teorias consideram fatores hormonais, genéticos ou congênitos e experiências vividas na infância. São muitas especulações, mas estudiosos acreditam que a orientação sexual seja moldada, geralmente nos primeiros anos de vida. Segundo psicólogos, a orientação sexual de uma pessoa não pode ser escolhida, por isso é incorreto falar em opção sexual ao invés de orientação. Existem relatos de pessoas que dizem ter tentado durante muito tempo se tornar heterossexuais, mas não obtiveram sucesso.
O processo de auto-aceitação do homossexual costuma ser muito difícil por causa da discriminação por parte da sociedade. Freqüentemente eles se sentem sozinhos e tentam mudar sua orientação. Muitos chegam a tentar o suicídio. Além disso, ainda é grande a violência contra o gênero e muitas vezes a própria família é a agressora.
O jornal francês Libération publicou, em março deste ano, um estudo revelando que gays e bissexuais têm mais tendência ao suicídio que os heterossexuais. Essa pesquisa foi realizada na França entre 1998 e 2003, e mostra que a cada três tentativas de suicídio, uma é cometida por um homossexual ou bissexual. O estudo mostra ainda um dado alarmante, grande parte deles não usa camisinha nas relações sexuais com parceiros desconhecidos.
Desde a década de 70 o homossexualismo deixou de ser considerado uma patologia ou desvio de conduta pelas associações de psicologia e psiquiatria. Apesar das dificuldades, os homossexuais estão incutidos na sociedade e alguns ocupam posições de destaque, mesmo que ainda não tenham assumido publicamente sua orientação. Assim aconteceu com a liberação feminina, deve chegar o dia em que a sociedade não irá mais se chocar ao ver duas pessoas do mesmo sexo andando de mãos dadas.
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