"Parlamentares confundem democracia
com casa da mãe Joana"
O Conselho de Ética absolveu o deputado Sandro Mabel (PL-GO) por falta de provas. Mas, no Congresso, o que mais chama atenção ultimamente é a moda que pegou: ofender, ameaçar e se dirigir aos outros com palavras de baixo calão. Sessões das CPIs viraram palanque, onde muitos deputados e senadores aproveitam o tempo e a audiência para aparecer.
Para o professor de Ética e Política da Unicamp, Roberto Romano, há um descontrole de senadores e deputados. Em entrevista ao UOL News, afirmou: "eles estão confundindo democracia com casa da mãe Joana. Os parlamentares estão à beira de um ataque de nervos".
Segundo ele, esse comportamento é conseqüência de uma falta de educação política. "A ética e o decoro são feitos para definir os limites do ato do poder. Por que um deputado e um senador são chamados de excelência? Porque são representantes do excelente, que é o povo, soberano. O povo concede a esses senhores a representação de si mesmo."
Portanto, explicou Roberto Romano, os parlamentares devem muito mais satisfação à sociedade do que se pode imaginar. "Quando alguém se dirige a um representante do povo com palavras de baixo calão, está xingando o povo. Isso tudo é muito grave, porque mostra que essas pessoas se julgam autônomas em relação ao povo, e não representantes dele."
Questionado se o clima de degradação no Congresso vai continuar, foi categórico: "vai, porque o problema é de educação política democrática. Jamais num regime monárquico se usa termos de baixo calão em plano governamental ou parlamentar. Aqui não. Confundiram democracia com casa da mãe Joana. Aí fica muito complicado."
Escrito por Moisés Diniz às 20h12
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