O CAMARADA


A RECONSTRUÇÃO DA UTOPIA

        

                   Após esses anos sob uma nova experiência política, precisamos avaliar se ainda estamos conectados à utopia que nos fez chegar até aqui. Durante duas décadas nós e nossos precursores produzimos uma imagem: a imagem da luta cotidiana por dias melhores para o nosso povo. Nossa camiseta tinha imagem de greve, nossa voz trazia as sílabas da contestação, nosso rosto estava queimado pelo sol da oposição. Dizíamos que era possível governar sem roubar, construir estradas sem superfaturar, pagar salários em dia, financiar a agricultura, educar nossas crianças sem proselitismo, enfim, governar a favor da vida. Assim o fizemos! Pequenos erros pelo caminho e burras intolerâncias não invalidam a estrada que abrimos. Nosso povo vive melhor e decidiu, sabiamente, continuar no mesmo caminho.

                   Isso não quer dizer que não devamos avaliar em que estado se encontra a nossa utopia! Se ela vive, se renova, sobrevive ou se arrasta!

                     Literalmente, utopia é um lugar que não existe, assim nos ensinaram os gregos. Serve como combustível para nos levar aos lugares mais próximos, tangíveis. Alimenta o nosso cotidiano e nos imprime a marca do horizonte que guarda o nosso humanismo ancestral. Sem o humanismo, nossas ações se verticalizam de tal forma que passamos a confundir pessoas com números e sentimentos com dados estatísticos. O humanismo é o dado que falta na contabilidade da esquerda, a premissa que os revolucionários retiraram de suas conclusões e, finalmente, o elo que se perdeu no caminho das nossas utopias. Sem pretensão acadêmica ou arrogância política quero dialogar com os meus companheiros e camaradas sobre a utopia que nos levou à condição de administradores de algumas possessões da velha elite. É que não controlamos o poder econômico, o poder religioso (graças a Deus!) e tantos outros poderes que a elite controla desde que privatizou a vida. Só não conseguiu privatizar a lua!

                   Em 1998, aqui no Acre, nós conquistamos um pedaço pequeno da utopia. O lugar que alcançamos é apenas o poder estatal, pequeno como um quarto de dormir para poder comportar as multidões famintas e irrequietas que não cabem em qualquer rua. A partir daí a gente se dá conta: o poder político não resolve todos os problemas, o dinheiro não paga todas as contas (contas populares, desejos da maioria) e as nossas possibilidades são menores que as nossas utopias. O que fazer então para não produzir desencanto e decepção? Quando o emprego não vem para todos, a saúde, a moradia? É possível administrar tão poucos poderes, quando as multidões continuam aguardando os resultados milagrosos da nossa utopia?

                   Quando entramos numa repartição pública, num hospital ou numa fila de entrega de títulos de terra ou de cadastramento de um programa social, a gente descobre o segredo da Esfinge em que se transformou a nossa utopia.  Descobrimos, como um segredo idiota que se guardava a sete chaves, que o grande problema não está no quanto, mas na qualidade. E a qualidade nunca está fora, na carteira, nos bolsos, nas contas e orçamentos. Ela dorme lá dentro, no colo de toda alma.

                                                         CONTINUA...

 

 

                                 



Escrito por Moisés Diniz às 17h58
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                   Descobrimos que o cidadão não quer apenas um médico no hospital, quer mais, deseja alguém que o atenda com respeito, quer alguém que, além da roupa alva, tenha também as mãos limpas e carinhosas. Quer alguém que não o trate como mercadoria, mercadoria de segunda ou de primeira categoria, que não serve para o consultório particular, onde o aparelho não quebra, a secretária diz “pois não?” e a enfermeira não pára de sorrir.

                   Fomos vendo que a “vergonha” de estar numa fila de um programa social mata uma fome e deixa a outra intacta. Que é preciso construir outros hospitais, além daqueles de tijolo e argamassa. É preciso construir hospitais de humanidade e carinho na alma dos médicos de plantão, ganhar o sorriso da enfermeira, a educação voluntária do atendente, do porteiro, do vigia. Fazer aquele cargo comissionado, agarrado à sua maldita gratificação, perceber o quanto foi difícil a uma pessoa humilde chegar até o hospital, a qualquer secretaria.

                   Hoje já sabemos que vale a pena retardar o início de uma ação pública para dar tempo e condições de incluir o povo e suas organizações na decisão, planejamento e execução da mesma. Que um dos mais robustos alimentos da utopia é a participação popular! Vamos ganhando convicção aproximada de que a sabedoria do povo é infinitamente superior à capacidade dos burocratas. Que umas das marcas de nossa luta e, portanto, de nossa utopia, foi a soberania do coletivo sobre o individual. Por que mudança tão brusca?

                   Aqueles que decidiam ‘junto’, hoje decidem ‘só’! O companheiro passa a ser chefe, tem dificuldade de comandar sem gritar e de dirigir sem atropelar! Aqueles que conviviam na luta, agora só o vêem de longe, pela televisão. O maldito poder temporal nos enclausura e nos distancia dos amigos, especialmente dos mais humildes. E, aqui, reside a tragédia: nossa utopia que não foi alcançada faz pairar um ar de desconfiança sobre os líderes. Muitos acham que não fazemos o que devia ser feito, desconfiam de que estamos mais ricos, mais orgulhosos, mais refinados. E não estamos?

                   Pensar sobre essas pequenas coisas, olhar mais pra dentro de nós e de nosso passado, pode ajudar a entender a crise braba que atravessa a esquerda. Organizar grupos de discussão, encontros de companheiros e de camaradas, pode ser a senha para encontrar o equilíbrio entre o poder e a utopia. Um final de semana, uma noite, um feriado. Bater papo e poder dizer: “bicho, tu ‘errou’ ali, e eu, o que tu ‘acha’ daquilo que eu fiz”? Coisas simples! Por que não tentar?

                   O que sei é que do jeito que vamos, o equilíbrio entre o poder e a utopia fica cada dia mais frágil e muitos companheiros e camaradas vão ficando pelo caminho. Devemos estar alertas, para que não chegue o tempo de alguém lembrar: “cara, vamos voltar, tem mais gente nossa lá atrás do que aqui nesse lugar”!

 



Escrito por Moisés Diniz às 17h56
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Perpétua tem sangue!

 

Alguns tentaram desvirtuar a reação da deputada Perpétua Almeida à provocação do adepto da TFP, Jair Bolsonaro. Esse gângster vem defendendo o fechamento do congresso nacional, apesar de ‘continuar lá dentro’!

 

Oriundo dos quartéis, quando estes, literalmente, sangravam a democracia, Jair Bolsonaro tem se especializado em fazer provocações. Se achando o tal, balançava um saco de lixo no rosto dos deputados.

 

Uma vergonha esses deputados federais! Uns frouxos! Foi preciso uma ‘mulher’ para reagir! Por isso que Roberto Jefferson recebe autógrafos! Nossos deputados federais estão apanhando como avestruz!

 

Parece que não têm sangue!

 

 



Escrito por Moisés Diniz às 23h19
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O resgate da bandeira

 

Finalmente!

 

Recebemos com alegria a decisão dos movimentos sociais de ocupar as ruas do país, em substituição ao movimento perverso dos gabinetes. Estava ficando cômico, se não fosse trágico, o tucanato-pefelista combatendo a corrupção.

 

Que seja o povo! Que se apure tudo! Que seja rigoroso!

 

Mas, não basta combater a corrupção e o país continuar nas mãos dos financistas, que elegem os picaretas.

 

Reforma agrária! Distribuição de renda! Fim dos privilégios das elites! Um novo modelo de comunicação!

 

Tomara que o Lula descubra que não dá para conciliar os interesses do povo com os interesses dos magnatas!

 

E saia, depois do choque, da letargia da conciliação que multiplica os lucros imorais das elites!



Escrito por Moisés Diniz às 19h38
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Do jornalista Toinho Alves: “Bom, então... deu Dilma. Dizem que é arrogante e autoritária e trata os políticos da “base aliada” com desprezo, coisa que, cá entre nós, não chega a ser um defeito”.

 

Pobre Lula! Enquanto alguns petistas não descem do Olimpo (nessa hipocrisia de se considerarem os Dalai Lama do pedaço), os mortais se dão o direito de achar que eles não são assim tão santos!

 

E assim nasceu Roberton Jefferson!!!!!!!!!!

 

 

 

 



Escrito por Moisés Diniz às 10h36
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Saindo das Cordas!

 

Cerca de trezentos militantes do PCdoB de Rio Branco se reuniram para debater a crise no Governo Lula. Identificamos que a crise é muito grave e exige uma posição pública dos comunistas.

 

Deliberamos por apresentar ao povo três palavras de ordens:

1 – Defender o Governo Lula

2 – Exigir uma rigorosa apuração das denúncias

3 – Lutar por mudanças na política econômica

 

Lula está sendo golpeado pela visão petista (que não compartilha poder e mantém uma visão maniqueísta em torno dos aliados) e pelo desespero da oposição conservadora (que precisa ver o Governo Lula sangrando até 2006).

 

O PCdoB não vai embarcar no canto da Veja, dos tucanos e dos pefelistas! Tão pouco vai achar que tudo é jogo da oposição, por isso defende uma rigorosa apuração!

 

Defendemos que o Governo Lula saia do torpor financista e aprofunde as mudanças! Os juros no Brasil são criminosos, a reforma agrária é pífia!

 

Lutaremos por uma Reforma Política que garanta a sobrevivência dos pequenos partidos, especialmente os populares (alvo das elites) e mantenha o jogo das alianças proporcionais.

 

Realizaremos, ainda, uma grande plenária do movimento social acreano para debater a crise no Governo Lula.

 



Escrito por Moisés Diniz às 22h05
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CULTURA E DEMOCRACIA

 

Acabei de participar de um debate sobre Cultura e Democracia. Encerrou-se agora, às 22:45. Um bom debate, apesar da quantidade de participantes. Faltou divulgação!

 

Do encontro saíram três propostas básicas:

 

1 – Realizar uma Sessão Especial, na Assembléia Legislativa, para discutir a Lei de Incentivo à Cultura (que sofre de graves problemas) e a implantação do Conselho Estadual de Cultura (que está na gaveta).

 

2 – Realizar pequenos espetáculos e apresentações culturais, de caráter alternativo, incorporando debate sobre cultura e democracia.

 

3 – Trazer um professor da Universidade de El Alto para proferir palestra sobre ‘O Que Acontece na Bolívia’. Nosso gabinete vai patrocinar a passagem.

 

 



Escrito por Moisés Diniz às 01h00
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