O ENTERRO DE JESUS
Estou saindo do enterro de Jesus! Meu nome é Simão Pedro. Antes de me tornar discípulo de Jesus, eu era um guerrilheiro zelote. Fui eu quem cortou a orelha de Malco, o serviçal do pontífice Caifás, quando ele foi ao Getsêmani para prender Jesus. Devido as minhas origens, fui um dos poucos a ficar distante do túmulo. Mas, como testemunha da vida e da morte, preciso relatar como se deu o enterro de Jesus.
O primeiro a comparecer ao sepultamento de Jesus foi Júlio César, que acabara de invadir uma dezena de nações. Não importava a morte de crianças, de velhos e de mulheres grávidas nas mãos dos soldados de Roma! Ele, ali, estava rezando! Quem se importava com as invasões de seu império, a dor nas fronteiras, os barões do império, a sugar a última gota de suor dos pobres invadidos e confiscados? Depois do morto, a presença mais sentida era a do imperador. Os curiosos, ao se aproximarem dele, perguntavam sobre Jesus e sobre as mortes que o seu império patrocinava em dezenas de nações.
Pilatos veio com o seu séquito. E até fez piada, quando o corpo de Jesus baixou à pedra fria: “esses seguidores bobos não percebem que nos alimentamos de sua compaixão!” Distante do morto, milhares de fiéis da plebe mortal o admiravam, por sua tentativa de salvar Jesus. Menos os judeus, pois sabiam que aquilo tinha sido armação histórica, propaganda inspirada, cujo resultado seria, no futuro, a cremação de seis milhões de sua raça, nas mãos do açougueiro Adolf Hitler.
Herodes veio, mas não desceu do seu carro de luxo, puxado por alguns cavalos, enquanto outros se utilizavam de suas ferraduras para aplaudi-lo! É que ainda se encontrava intimidado com o assassinato de João Batista, a pedido de sua prostituta oficial, Herodíades. Na verdade, Herodes não queria olhar nos olhos de Maria Madalena, chorando ao lado do túmulo, pois descobriria que sua cunhada Herodíades era mais rameira do que a mulher que Jesus salvou do apedrejamento.
Todos os reis da terra, soberanos e subjugados, acorreram ao espetacular sepultamento de Jesus. Ninguém, ali, sob a tempestade de areia, olhava para as mãos dos monarcas e dos nobres. Mãos limpas ou sujas de sangue? Mãos puras ou enlameadas pela corrupção? Todos estavam ali para reverenciar o Príncipe dos Céus. Só uma ausência foi sentida: os três reis magos. Até porque, agora, naquele instante, Jesus não precisava de ouro, incenso ou mirra!
O enterro de Jesus foi o assunto das nações! Contra e a favor, os mortais discutiam a sua vida, as suas opiniões e os seus feitos. Uns diziam: “ele não devia ter ressuscitado Lázaro, pois outorgou argumentos aos defensores da utilização das células-tronco”. Outros: “ao condenar Simão Pedro por ter cortado a orelha de Malco, ele animou seus seguidores a condenar as guerrilhas populares”. Será? “Quando ele expulsou os vendedores do Templo, utilizando-se de um chicote, ele quis dizer que, em determinadas situações, a palavra não cura a ferida”, contestava outro.
O corpo no túmulo e apagada a última luz, a multidão se dispersou. No dia seguinte, o assunto era o preço do pão, a água escassa e o tributo de Roma. E eu, um discípulo envergonhado, confesso que tive medo de relatar o que realmente aconteceu. “Terrivelmente abandonado, apenas Maria Madalena e Maria, mãe de José, ficaram observando onde Jesus era sepultado” (Mc.15,47), como um índio, um negro da favela, um mendigo, uma prostituta. A pedra fria o recebeu, sem ouro, sem testemunhas de sangue nobre e sem mitra!
Escrito por Moisés Diniz às 19h57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
CHICO VIRGÍLIO
Fiquei apenas DOIS dias no rio Murú. Estou indo agora ficar com o meu pai em Cruzeiro do Sul. Ele está lutando bravamente pela vida! Uma luta inglória!
Nada mais a fazer! Apenas refletir sobre o Capítulo 3º de Eclesiastes:
Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Escrito por Moisés Diniz às 20h20
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|