BATISTA
Eu o conheci em 1985. Era um jovem desempregado e sem rumo. Naquele mesmo ano fundamos o JESC (grupo de jovens da igreja). Batista foi se consolidando como líder juvenil, comunitário e, mais tarde, como líder dos trabalhadores rurais. Um exemplo de alguém que sai do fosso que as elites cavam para os pobres!
Em 1992 se elegeu vereador, acumulando três mandatos consecutivos.
A possibilidade de eleger Batista para prefeito era real. Quatro candidatos dividindo o voto urbano e Batista com maioria dos votos rurais e indígenas.
Apenas dois fatores determinaram a derrota. Primeiro, o voto nulo alto, que veio do eleitorado rural e indígena. Apenas metade dos eleitores rurais do Batista, que erraram o voto, era suficiente para cobrir os magros 3,5% da diferença entre ele e o primeiro lugar.
Para efeito de comparação, enquanto Rio Branco teve 5,19% de votos nulos, Tarauacá teve 9,94%, fruto do analfabetismo que grassa nas regiões rurais. E para entender: 9,94% de votos nulos totais representam 31% dos votos rurais de Tarauacá. Sem contar que o comparecimento às urnas foi de apenas 77% em Tarauacá, demonstrando a dificuldade da população rural ter acesso à democracia, enquanto Rio Branco foi de 86%. Que fazer? Se as elites não abrem mão de manter os seus campos de concentração na Amazônia?
Segundo motivo: a incapacidade do PT de respeitar os aliados. Em Tarauacá, o PT estava altamente desgastado. A saída era compor com o PCdoB na cabeça de chapa. Preferiram apoiar Chico Sombra! Vou dar um exemplo: enquanto a terra de Chico Mendes corria o risco de cair nas mãos de Wanderlei Cotôco (como ocorreu), o deputado Nilson Mourão ficou os últimos dias lutando por Chico Sombra (podendo estar lutando pelo bravo Raimundão).
Se o PT de Tarauacá estava desnorteado, cabia aos seus líderes estaduais dar o rumo. Mas, quando é para o rumo certo beneficiar o PCdoB, os líderes principais do PT fingem que estão, também, desnorteados...
Escrito por Moisés Diniz às 22h57
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