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O DEPUTADO APRENDIZ
Depois de quatro semanas de estréia desse “blogzinho” insatisfeito, nós resolvemos dar-lhe outro nome. Achamos que O Deputado Falou era meio prepotente, assim meio senhoril, quase coronelesco...
Nosso Blog se chamará O Deputado Aprendiz. Tem mais a ver com o nosso jeito de fazer política, aproxima-se mais do fazer coletivo, da adição de idéias, da receptividade à critica...
Aliás, se formos olhar para nossos principais líderes de esquerda (no poder), a gente vai perceber que essa ausência do fazer coletivo é o Calcanhar de Aquiles.
Antes eram amantes da simplicidade e agora namoram a arrogância e estão quase casados com o medo à crítica...
Vamos tentar fazer diferente... Se não conseguirmos, pelo menos, teremos insistido!
Feliz aquele que consegue permanecer no poder com as mesmas qualidades do tempo da solidão política...
Escrito por Moisés Diniz às 11h18
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BEBENDO ÁGUA SUJA
A gente quer defender os caras e eles fazem essa bobagem!
Quando o bobão Larry Hohter (do NYT) escreveu toda aquela babaquice sobre a “bebedeira” do Presidente, todos nós reagimos indignados. Do PFL ao FHC, ninguém aplaudiu aquela estupidez da imprensa norte-americana.
Ficou claro que era uma “tentativa ingênua” de devolver o Brasil à categoria de república das bananas...
O Brasil reagiu, provando que somos um novo país, com uma consciência nacional e capacidade de distinguir entre o ovo e a galinha.
Mas, infelizmente, o nosso governo não percebeu isso. Suspender o visto diplomático do bobão Larry Hohter foi uma grande besteira. O Brasil, na forma que reagiu a sociedade organizada, já tinha cuspido Larry Hohter e seu jornalismo nazi. Aí vem o governo Lula se achando o dono do pedaço. O dono do pedaço é o povo brasileiro, seus burocratas burros!
Como é que esses caras conseguem, em 12 horas, passar de vítimas a agressores? Esses caras estão piores do que piriquito, a gente limpa a gaiola, aqui em baixo, e eles sujam, lá em cima...
E por que foi burrice? Primeiro, porque demonstrou intolerância e manchou a nossa liberdade de imprensa. Segundo, porque não percebeu que o bobão Larry Hohter é o detalhe. A editoria do NYT não deixaria publicar uma reportagem daquela se não houvesse concordância. O problema é a opinião do maior jornal norte-americano (porta-voz dos magnatas) e não a pena do bobão Larry Hohter.
Jogaram a "criança" fora e continuaram bebendo da água suja da bacia!
Pior do que essa só a manutenção dos juros!
Escrito por Moisés Diniz às 10h41
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PRISIONEIRO DE ABU GHRAIB - IRAQUE

Me lembrei dos campos de concentração nazistas e me perguntei a que distância George Bush se encontra de Adolf Hitler... E OLHE QUE HITLER NÃO ERA ALCOÓLATRA, ASSIM COMO BUSH, QUE SÓ BEBE... SANGUE TIPO TERCEIRO MUNDO!
Escrito por Moisés Diniz às 18h06
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CUIDAR
Cuidar é uma palavra tão forte e, ao mesmo tempo, tão frágil que não pode ainda sair do espaço materno. Nosso tempo ainda não permite que alguém que não seja mãe possa cuidar de nossos interesses.
Nem o pai, com toda os seus direitos de ter fecundado a cria, pode dizer que cuida do filho. Só a mãe, com os seus nove meses de gestação, pode sentir-se em paz quando diz que cuida das crias.
Quem ama cuida. Portanto, quem cuida ama. É muita intensidade, é muita luz para ficar nas mãos de alguém que não é mãe. Cuidar requer estar atento aos sentimentos do outro, pois não ama quem não respeita sentimentos.
Assim, torna-se uma imprudência querer cuidar de mais de uma família. Até uma mãe não consegue cuidar de duas famílias, se ali os filhos não forem todos dela. Quanto mais cuidar de centenas, de milhares!
Eu não quero os cuidados de quem não me ama! Eu não quero os cuidados de quem não percebe a minha dor. Pois se eu aceitar esses cuidados, eu posso não ter curada a minha dor!
Quem cuida não discrimina, não interfere, não afronta, não domina. Quem cuida, cuida!
Escrito por Moisés Diniz às 10h29
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Fazia tempo que eu andava com o desejo de abrir uma discussão sobre o nosso jeito amazônida de viver (morar, vestir, comer, cultuar...) Sabia que esse debate não cabe no parlamento nem nos jornais que vendem sangue dos párias.
Fico feliz em publicar um artigo (em dois pedaços) da jornalista Márcia Corrêa sobre o tema...
Escrito por Moisés Diniz às 11h29
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SÓ UMA MARÉ BAIXA
De vez em quando me pego pensando sobre essa minha condição de amazônida pela metade. Nasci na cidade de Manaus, passei a maior parte da vida na cidade de Macapá, vivi bons momentos na cidade de Belém. Sempre as cidades. Cidades da Amazônia, capitais a meio caminho das metrópoles, mas, com os pés fincados no meio da floresta, ou seja, nem lá, nem cá.
Isso resulta num ser humano da Amazônia, que mal sabe diferenciar um peixe de outro, a não ser os grandes como o tambaqui, a pescada branca, a amarela, o filhote, o tucunaré, a gurijuba e, é claro, o pirarucu. Também, né?
Aí eu fico ouvindo amigos conversando sobre as curvas de rio, as aventuras pelas estradas, imitando do linguajar “cabuçu” dos ribeirinhos, as travessuras da infância pelas canoas rio abaixo, rio acima. Dá uma sensação estranha de não pertencer, de não sentir com a mesma intensidade essas entranhas da mata, dos banzeiros e da simplicidade requintada da vida na floresta.
Olho no espelho e não vejo muitos traços daquela mística cabocla, pele morena, cabelos como os das índias. Também, não enxergo com tanta nitidez a herança portuguesa que me corre pelas veias. Êta mistura danada, que faz a gente se sentir uma salada de frutas batida no liquidificador. Hei! Tem alguém aí que se sente assim?
Penso que sou parte de uma Amazônia que ainda não se viu no espelho. Pelo menos não no espelho dos poetas ou dos sonhadores. Esses cantam a alma dos que conhecem a mata, seus pássaros, seus sons mais sutis, seus mistérios, suas agruras, sua sofreguidão. Contam histórias de pescadores, seringueiros, tarumãs, aldeias, matapis. E têm tanto o que contar.
Pertenço ao lado mais empobrecido da poesia urbana. O lado da cidade vazia de saudades, preenchida por antenas de tv, corrompida pelos vícios dos instintos dos homens, mal-cheirosa dos esgotos entupidos. A cidade que engole a pureza das meninas do interior e as transforma em babás mal remuneradas de bebês e de marmanjos.
Escrito por Moisés Diniz às 11h14
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CONTINUAÇÃO...
Sou desse lado novo da Amazônia, que é tão velho quanto a mais velha profissão do mundo. O lado das ruas cheias de lixo. Que droga! Macapá não tem mais cadeiras nas calçadas nem jogo de queimada no meio da rua. Ih! Já tem rush, aquela confusão no trânsito ao meio-dia. Tem assalto a mão armada e muita gente apressada, buzinando, xingando.
E quem ficou no meio do caminho que se dane para encontrar alguma identidade. E mesmo que alguns sábios pensadores defendam que o melhor é não ter nenhuma, o outro lado da moeda é uma imensidão de possibilidades que podem não dar em lugar algum.
Por isso ainda fico matutando sobre minha possível identidade amazônico-urbana. E certo dia, nos meus tempos de PT, um amigo inventou que eu deveria ser vice numa chapa majoritária para as eleições estaduais. Mas, eu nunca tinha ido ao Oiapoque, não conhecia Laranjal do Jarí. Essas coisas devem ser pra quem tem estrada e outras colheitas mais.
No mais, rogo aos poetas que anistiem nossa tribo dúbia de cidadania e de florestania do exílio árido das paredes de concreto das cidades. E nos mandem uma cartinha sobre aquilo que não trazemos na vivência, por pura imprudência do destino, mas com o que embebedamos nossas almas confusas, difusas, inócuas diante da magnitude da realidade.
Se houver mais meia dúzia de criaturas que peguem no remo de mau jeito como eu, querendo sair por aí singrando os rios na maior desenvoltura sem aprumar a canoa. Então já somos uma tribo. É esse sentimento de estar entre o que somos e o que teoricamente deveríamos ser que nos identifica. Então, não vamos mais ter vergonha de não gostar de carne de caça, de não sabermos o que é exatamente um repuxo, de não cantarmos o mesmo réquiem por nossos antepassados.
Márcia Corrêa
1º de maio de 2004
Escrito por Moisés Diniz às 11h14
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